Notícias e atualizações sobre o mundo do Venture Capital. Além de táticas e estratégias para conseguir investidores para sua startup.

Já é de se esperar que um país com quase 1.4 Bilhões de pessoas tenha negócios gigantes sendo criados. Sexta passada, 04/10, um negócio de entregas de compras de supermercado, comida, ração para animais e outros tipos de compras acabou de anunciar que conseguiu $45 Milhões (R$186 Milhões) de investimento.

A startup Dunzo, que fica em Bangalore, Índia, recebeu investimentos da Google, Lightbox Ventures e de outros grandes fundos. Dunzo foi avaliada em $200 Milhões (R$830 Milhões) e já faturou $81 Milhões (R$ 336 Milhões) até agora.

A Startup já existe à 4 anos, e o serviço de entregas que eles fornecem é local e fornecido em poucas cidades. Os usuários da plataforma da Dunzo têm acesso a itens de diversas categorias, desde compras de supermercado até certos medicamentos. Além disso, você também pode pedir para a Dunzo entregar qualquer coisa se o objetivo ficar dentro das cidades.

Créditos a Arihant daga no Unsplash

Esqueceu o carregador do seu celular em casa? Sem problemas! Dunzo pega ele para você. Parte do charme do sistema de integras é a velocidade, sendo que a maioria das entregas leva menos de 25 minutos, e a não ser que a loja seja muito longe não sai por um preço maior que $1.

A startup está buscando expandir sua estrutura tecnológica e desenvolver mais parcerias com pequenos e médios negócios.

Atualmente, o e-commerce segura cerca de 3% do total de vendas no varejo da Índia. Mas, nas palavras do próprio CEO da Dunzo, Kabeer Biswas, “Nós estamos no caminho para construir a maior plataforma de vendas do país, com as mais eficientes soluções logísticas para cada cidade.”.

Dunzo sede
Sede da Dunzo

Somente na categoria “Comida” estão 1/4 das vendas da empresa. Recentemente a empresa está testando entregas de outros produtos, como smartphones. Está inclusive tentando parcerias com empresas como a Puma. Esses novos testes vêm com a proposta de fazer entregas muito mais rápidas que as atuais, que levam cerca de um ou dois dias para acontecer. O objetivo é entregar o produto em menos de 30 minutos.

Porém, em comparação com as gigantes indianas, Dunzo ainda está muito atrás. Eles fazem cerca de 2 milhões de entregas por mês, enquanto as gigantes, como a Swiggy e Zomato, fazem mais de 3 milhões por dia. E mesmo que com tudo isso, essas gigantes não chegam nem perto das Top Startups da maior aceleradora do mundo.

Claro, as gigantes não iriam ficar simplesmente paradas olhando Dunzo conquistar esse mercado. No mês passado a Swiggy anunciou a Go, um serviço que permite os usuários de algumas cidades a fazerem entregas de qualquer tipo de item, desde que seja dentro de sua cidade.

Em outubro de 2018, a maior aceleradora em startups do mundo, a Y Combinator, liberou uma lista com suas 101 melhores startups, organizadas por valor de mercado. Esta manhã eles atualizaram a lista.

Claro, organizá-las por valor de mercado têm sua importância, porém não é exatamente preciso. É muito mais uma projeção de quanto a companhia vale do que um indicador direto de quanto a companhia está lucrando nesse exato momento.

Mas, mesmo que seja só uma projeção, hoje as 101 startups juntas acumulam um valor de mercado maior que $155 bilhões (R$643 bilhões). Além disso, organizá-las por valor de mercado já nos da uma boa noção de quais dos mais de 2000 investimentos feitos pela Y combinator deram mais certo!

As 101 mais valiosas startups da Y Combinator:

  1. Stripe
  2. Airbnb
  3. Cruise
  4. DoorDash
  5. Coinbase
  6. Instacart
  7. Dropbox
  8. Ginkgo Bioworks
  9. Gusto
  10.   Flexport
  11.   Rappi
  12.   Brex
  13.   Reddit
  14.   Gitlab
  15.   PagerDuty
  16.   Checkr
  17.   Segment
  18.   Docker
  19.   Scale
  20.   Faire
  21.   Twitch
  22.   PlanGrid
  23.   MixPanel
  24.   Amplitude
  25.   Optimizely
  26.   Boom Supersonic
  27.   Grin
  28.   Meesho
  29.   Algolia
  30.   GOAT
  31.   Zapier
  32.   MessageBird
  33.   Standard Cognition
  34.   Memebox
  35.   Embark
  36.   Helion Energy
  37.   EquipmentShare
  38.   SendBird
  39.   Rescale
  40.   GoCardless
  41.   Rigetti Computing
  42.   Razorpay
  43.   North
  44.   Relativity Space
  45.   Podium
  46.   Benchling
  47.   Ironclad
  48.   Newfront
  49.   InfluxData
  50.   Webflow
  51.   People.ai
  52.   Weebly
  53.   Xendit
  54.   Matterport
  55.   EasyPost
  56.   Sift
  57.   The Athletic
  58.   Mattermost
  59.   WePay
  60.   Vidyard
  61.   Weave
  62.   Nurx
  63.   Proxy
  64.   Heap
  65.   Payfazz
  66.   memsql
  67.   Fivetran
  68.   Rippling
  69.   Clever
  70.   Heroku
  71.   Fivestars
  72.   CoreOS
  73.   ClearTax
  74.   Quero Education
  75.   Ridecell
  76.   HelloSign
  77.   GrubMarket
  78.   Lattice
  79.   Unbabel
  80.   Athelas Inc.
  81.   Oh My Green
  82.   Lever
  83.   Atrium
  84.   Zeus
  85.   Front
  86.   Le Tote
  87.   ShipBob
  88.   Snapdocs
  89.   GitPrime
  90.   Scribd
  91.   Guesty
  92.   Axoni
  93.   Lob
  94.   Notable
  95.   Atomwise
  96.   Flutterwave
  97.   Panorama Education
  98.   FutureAdvisor
  99.   SFOX
  100.     Lambda School
  101.     ZeroDown

Em 2018, as 2 primeiras companhias eram, em ordem, Airbnb e Stripe. Esse ano elas trocaram de lugar. Curiosamente, hoje a Airbnb já gerou mais de 6000 vagas de trabalho, enquanto a Stripes gerou “somente” 2000. Nos dias de hoje funcionários não significam necessariamente grandeza.

A maioria das companhias listadas existem a pelo menos 4 ou 5 anos. Até por que é muito difícil uma companhia atingir um valor absurdo logo em seu lançamento ou pouco tempo após. Mas, como essa lista não deixa de nos surpreender, três das 101 companhias fizeram seus lançamentos em 2018.

A número 27, Grin, uma companhia latino americana que trabalha com alugueis de patinetes já têm produtos em circulação até mesmo aqui no Brasil.

A número 83, Atrium, é uma companhia tech-driven de advocacia.

E, a última das três exceções, é a número 101, ZeroDown. Companhia que ajuda pessoas a comparem suas casas sem precisar dar uma parte do valor como entrada.

Se organizarmos a lista por setor de atuação, as empresas B2B de software/serviços tomam conta do top 101 da Y combinator, dominando 52% da lista. O que não é muito surpreendente, já que empresas como a Super{set} conseguem arrecadar mais de $270 milhões em investimento. Seguidas por Fintechs (15%) e Serviços / Bens para o consumidor (11%).

sector chart

Quer saber um pouco mais sobre as 101 startups da lista? Y Combinator Top Companies

Você acha seu trabalho difícil? Se você é dono de um startup com certeza acha. Mas Tom Chavez na Super{set} coordena 6 startups!

Chavez acredita que construir e coordenar startups pode ser resumido a um processo quase cientifico, e prova que ele e seu time sabem fazer isso depois de vender as startups Rapt para a Microsoft e Krux para a Salesforce por um total de R$4.9 Bilhões.

Agora a Startup da vez é a Super{set}, que Chavez e seu time fundaram com o objetivo de construir, financiar e coordenar outras startups. A Super{set} já arrecadou fundos de mais de R$270 milhões e está atualmente coordenando 6 Startups.

Super{set} team
Tom Chavez, Jae Lim, Jen Elena and Vivek Vaidya.

Além da Super{set} investir nas startups em Early Stage e oferecer a expertise do time, ainda afirmarem: “Nós trazemos companhias para o mercado 10x mais rápido e com uma eficiência de capital 5x maior”, ainda há um especial, o Super{set} Code. Um conjunto com guias e ferramentas para eliminar o trabalho redundante.

Os guias do Super{set} Code cobrem formação de plano de negócios, estratégias de pitch, go to market, machine learning, princípios de administração, processos de RH, métodos de venda, finanças, guias para processos legais e muito mais. Chavez diz: “Eu não acho que você possa sistematizar uma startup, mas sei que você pode acelerar e reduzir os riscos”.

Hoje a primeira startup do Super{set} veio a tona, a Eskalera. Ela ajuda empresas a manterem seus funcionários talentosos, acompanhando a evolução desses funcionários e oferecendo programas que impulsionarão suas carreiras e vida pessoal.

Super{set} eskalera

Chavez é o CEO, mas pretende deixar o cargo com outra pessoa, para que ele possa gastar seu tempo fundando outras startups. Entre as 6 startups da Super{set} trabalham 55 funcionários, e 2 das 6 já estão lucrando e estarão prontas para emergir nos próximos 9 meses.

O mais interessante? O levantamento de fundos para a Eskalera e para as outras 5 startups vêm com termos legais únicos. As startups pagam mais Equity por mais dinheiro. Isso por que Chavez e sua equipe não são board members normais, pois como Chavez fala em suas entrevistas, “Nós estamos ombro a ombro com os empreendedores”. Eles são super skin in the game, trabalhando lado a lado com os empreendedores, e a Super{set} ainda traz experts em inteligência artificial, data science e em outras áreas, que são alinhados com as companhias no portfolio.

Para finalizar, Chavez fica do lado das companhias que estão no portfolio mesmo nos tempos difíceis. Ele fala: “Minha primeira companhia teve vários problemas e um Pivot enorme. Nós até tivemos um empreendedor que desistiu. Algumas pessoas perderam convicção, mas nós trouxemos a companhia de volta e vendemos ela por R$ 750 Milhões depois das pessoas dizerem que ela não valia nada. Nos sentimos muito bem”. Mas, se todos do boarding concordarem que a empresa não tem volta, ela é fechada.

Conseguir um sim de um investidor para receber investimento não é uma tarefa fácil. Você precisa pesquisar sobre seus potenciais investidores, entender como deve se comportar diante deles, entender que investidores são pessoas ocupadas e que existem muitos outros donos de negócios que também estão competindo pelo tempo deles.

Você precisa apresentar um pitch inesquecível e ainda fazer constantemente acompanhamentos e atualizar os investidores para não cair no esquecimento. 

Por isso veja estas 14 dicas que vão te ajudar a conseguir um sim de qualquer investidor.

1- Compartilhe atualizações regulares 

Atualizações de tempo em tempo mostrando suas realizações são ótimos meios para manter os investidores. Assim eles verão que você está agindo conforme disse em seu pitch. Está criando valor, atingindo os objetivos que você traçou. Isso passa a impressão de que seu negócio tem potencial para dar retorno.

2 – Conte histórias

Mais do que apresentar diretamente números, conte histórias. As pessoas respondem melhor a histórias somadas aos números aparecendo conforme um contexto do que a uma planilha cheia de números.

Saiba usar os números e trazê-los no momento certo para conseguir o sim. Pois se você tratá-los dessa forma, você verá que continuarão curiosos mesmo após a reunião. 

3 – Deixe alguns detalhes para depois

Quando for apresentar seu melhor pitch para seus potenciais investidores, não revele todas as coisas que tornam seu negócio fantástico. Deixe algumas dessas cartas para serem usadas no follow up dos investidores, que é essencial para conseguir o sim deles.

Guarde algumas cartas na manga! 

Após apresentação do seu pitch, envie um e-mail de agradecimento para o investidor. Muitos desses e-mails geralmente não são respondidos, e é por isso que você guardou alguns detalhes para depois.

Após uma semana ou duas, esses detalhes serão o motivo para você voltar a entrar em contato com o investidor. Essa é uma boa forma de se manter conectado com o investidor e fazer ele não se esquecer de você, por uma razão que têm algum valor.

4 – Mantenha o diálogo descontraído e o sim é garantido!

Se apresentar e fazer seu pitch para os investidores é uma atividade difícil e estressante. É importante ter um diálogo aberto para ter certeza que você está abordando assuntos realmente relevantes.

Uma boa forma de fazer isso é montar sua apresentação, mas apenas destacando os pontos principais, aberto a abrir o diálogo para outros caminhos se for necessários.

Utilize uma linguagem menos formal e pense no contexto antes de entrar nos detalhes. Tenha certeza também de que você saiba tanto quanto eles sabem (ou mais) sobre o assunto.

5 – Trate-os como humanos

As pessoas ficam ansiosas e agitadas quando vão se encontrar com investidores. Muitos tratam como uma situação de vida ou morte, o que coloca muita pressão na situação. 

Trate os investidores como pessoas normais que eles se sentirão mais confortáveis. Procure tratar eles da mesma forma que você gostaria de ser tratado, assim ficará mais fácil de construir uma relação e conseguir o tão desejado SIM!

Mesmo que o investimento não aconteça, manter essa relação é importante, pois no futuro pode acontecer de vocês se cruzarem novamente. 

6 – Peça por feedbacks

Depois que você apresentou o seu pitch que você trabalhou duro para desenvolver, você precisa fazer duas coisas: peça por feedbacks e continue fazendo follow ups. 

Mesmo que os investidores resolvam não investir em seu negócio, geralmente eles estão dispostos a criticar e dar feedbacks sobre seu pitch, o que pode ter quase tanto valor quanto o investimento em si. 

Aprenda com suas críticas e conselhos para melhorar seu pitch. E lembre-se, não é porque não foi desta vez, que não pode acontecer mais para frente. Portanto continue enviando a eles atualizações sobre o seu progresso (Até por que isso demonstra muita confiança e maturidade da sua parte). 

7 – Esteja preparado

Esteja preparado para responder as questões que os investidores podem ter após o seu pitch e concorde em concretizar os próximos passos.

Se eles pedirem por documentos que você não possui em mãos, responda-os rapidamente e de forma compreensível. Se eles pedirem para você manter contato, não quer dizer que eles querem que você envie e-mais ou ligue todo dia. Combine uma frequência ideal para entrar em contato.

Geralmente follow ups mensais são suficientes, mas alguns investidores ainda preferem follow ups trimestrais. Portanto mantenha contato, mas não exagere. 

8 – Leve um investidor com você

Ninguém gosta de ser o primeiro em nada, mas também não gostamos de ficar de fora. Isso é natural do ser humano. 

Se você tiver um investidor atual disposto, você deve levá-lo com você se possível e incluí-los em seu pitch, como uma prova viva. 

Isso ajuda em 3 pontos: o primeiro é que ninguém precisará ser o primeiro investidor. O segundo, seu parceiro de investimento pode responder questões sobre investimentos enquanto você se concentra em falar sobre seu negócio e sua marca. E terceiro, tendo um investidor significa que você tem tração e ninguém quer perder uma boa oportunidade de negócios

Levar um investidor com você será um diferencial e você com certeza vai estar no topo. 

9 – Envie seus slides após a apresentação

Após sua apresentação, é importante que você envie seus slides para que eles possam visualizá-lo novamente, quando desejarem. 

Você pode utilizar uma ferramenta como o ClearSlide que permite visualizar o tempo que cada pessoa navegou pela apresentação e quais slides eles permaneceram mais tempo. 

Isso ajuda a identificar o nível de interesse deles e o que os mais interessou em sua apresentação. Com isso você pode personalizar sua mensagem de follow up de acordo com o que interessa mais a eles (E o sim de qualquer investidor fica muito mais provável quando recebem algo direcionado).   

10 – Mostre a eles seu progresso

O dinheiro não vai entrar de um dia para o outro. Reserve um tempo para atualizar seus investidores sobre os progressos e boas notícias.

Por exemplo, se você estiver atualizando seu protótipo ou desenvolvendo uma feature nova, deixe seus investidores sabendo disso. Ou se o seu protótipo estiver pronto e completo, tenha alguma ação planejada que estimule o investidor. 

Faça o possível para sair de uma reunião com outra agendada.

11 – Configure Google Alerts

Mostrar interesse além do seu próprio sucesso demonstra altruísmo e empatia. Uma maneira de manter a conversa aberta com os investidores após o pitch é configurar o Google Alerts para outras empresas do portfólio e concorrentes. Toda vez que uma empresa é mencionada, você receberá um alerta, que pode ser usado para iniciar uma conversa. Isso mostrará aos investidores que você está ciente de seus interesses. 

12 – Forneça uma pequena lista dos marcos históricos 

Os marcos históricos de sua empresa sempre é um assunto que interessa aos investidores. Eles adoram ouvir sobre. 

Uma ótima maneira de manter o follow up é criando uma lista dos marcos históricos que você irá abordar durante os follow ups. Afinal seu negócio estará em uma fase que há muita coisa acontecendo, estabelecer metas e objetivos e alcançando-os é uma ótima maneira para demonstrar seu foco. 

Os investidores ficarão impressionados com seu follow up e ao ver que você está atingindo seus objetivos e metas eles ficarão ainda mais interessados em saber mais sobre sua empresa.

Se você ultrapassar as metas estabelecidas, é bem possível que o investidor entre em contato com você.

13 – Faça o dever de casa

É natural que todo investidor espera que você faça um follow up após o pitch. Portanto você deve procurar fazer uma boa pesquisa sobre seus potenciais investidores.

E quando falamos de pesquisar, não estamos falando de descobrir o time favorito do investidor e comprar um par de ingressos para ele assistir no camarote, e sim de procurar seus assistentes, conversar com eles e procurar entender melhor o investidor como pessoa.

Isso fará com que eles se sintam tratados mais como humanos, o que já mencionamos anteriormente sua importância, e deixam de ter aquela impressão de que são vistos apenas como uma fonte de dinheiro. 

14 – Assinatura de NDA (termo de confidencialidade)

Para dar o toque especial nessa conexão, convide o investidor para conhecer seu time, seu escritório, mostrar seu livros e sua conta bancária. Mas antes disso, eles devem assinar um termo de confidencialidade (NDA).

Mostre o sistema de sua empresa e seus diferenciais que tornam sua empresa uma boa aposta. Sua vontade demonstra que você está sério em relação a buscar investimento. Se eles passarem para a próxima etapa, significa que eles estão sérios em relação a investir em você.

Essa última dica está diretamente relacionada ao Skin In The Game, que é o que TODO investidor busca em um founder de startup. Se você não sabe exatamente o que é, clique aqui e entenda.

E se você leu todo esse artigo pois ainda esta pensando em tirar sua ideia do papel, mas ainda não tem certeza do que fazer, ou se ainda está buscando informações sobre como será a sua trajetória, assista:

A construção e fortalecimento de relacionamentos é o que mais fará a diferença para startups que buscam conseguir investidores. E essa é a principal diferença entre aquelas startups que nunca terão a chance de decolar e aquelas que superam as expectativas de seus fundadores. Não importa se você está em busca de investidores em potencial ou deseja melhorar a imagem com aqueles que já comprometeram capital em sua empresa.

O principal conselho que eu posso dar a você antes que você inicie um processo de captação de investimentos é que você compreenda uma unica coisa:

Fundraising (levantar capital) é um processo de marketing e vendas e precisa ser gerenciado.

Muitos founders não conseguem se preparar adequadamente para o processo de levantar capital e conseguir investidores. Primeiro porque levantar capital demanda tempo, atenção e energia. E um CEO, ao iniciar o processo, deixará de investir esse tempo no crescimento de sua empresa. Segundo, como qualquer processo de vendas, você precisa primeiro qualificar seus “prospects” e descobrir se eles possuem ou não fit com o seu negócio. Além disso, é preciso gerenciar rigorosamente seu tempo e calendário.

O trabalho de um investidor é liberar dinheiro e obter retorno. Logo, ele procura por aquela startup super fora da curva, o novo hype. Mas, como isso é difícil de encontrar, ele se torna super rigoroso onde vai distribuir seu dinheiro. E as estatísticas provam essa visão. Apenas 17% das startups investidas retornam 1 vez ou mais o valor investido.  


Portanto, você precisa acreditar que sua empresa e seu produto são excepcionais e sua startup será valiosa no futuro. E, neste caso, você está atualmente fazendo um favor ao ajudar o investidor a investir em sua startup. Se você não acredita que você, sua empresa e seu time são incríveis, será difícil você vender a qualquer pessoa a ideia de que você é um bom investimento.

Logo, como um empreendedor deve acompanhar investidores em potencial à medida que avançam no processo de captação de recursos? Saber o porquê, quando, o que e como acompanhar e construir essa relação o ajudará nesta parte crítica de nutrir sua startup, e certamente terá um impacto enorme em quanto dinheiro você capta, de quem você receberá investimento e em quanto eles realmente vão ajudar na visão do seu negócio (o famoso smart money).

O que procurar em um investidor

São basicamente 4 coisas que você deve procurar em investidores:

  1. Interesse (Hey, sua startup parece bacana)
  2. Autoridade para tomar decisões (você está conversando com o “gatekeeper” ou com um sênior partner?)
  3. Dinheiro (o valor do seu round é adequado ao cheque daquele fundo? O fundo tem dinheiro disponível ou não?)
  4. Eles estão dispostos a dedicar tempo continuando a conversa e analisando você e sua empresa?

O que você precisa buscar em um investidor é engajamento. Se ele não está engajado, saiba que você não receberá um term sheet (termos de investimento).

É quase impossível sair com dinheiro no bolso da sua primeira reunião com investidores. Você precisará acompanhar e construir o relacionamento para que você possa gerar confiança e, eventualmente, receber o investimento que está procurando.

O primeiro passo é usar uma estratégia que consiste basicamente em gerar impacto (uma boa impressão) em seu primeiro contato, seja ele um email ou reunião. Você precisa de um ou outro:

  • Demonstrar resultados
  • Fazer uma promessa

Demonstre sua visão de crescimento e em seguida continue atualizando o investidor sobre como suas promessas estão sendo cunpridas através da sua capacidade de execução. Ele poderá te pedir um pitch deck ou irá, aos poucos, ligar os pontos da história que você apresentou inicialmente e, eventualmente, se houver coerência entre o que ele busca como tese de investimento e sua execução e resultados, eles darão um passo adiante. Essa estratégia é conhecida como “ligando os pontos (connecting the dots)”, criada por Alejandro Cremades, autor do livro “The Art Of Startup Fundraising”.

Com quantos investidores eu devo falar?

Há muitos relatos sobre quantos investidores você deve falar… Até o relato do Paul Malicki, que conversou com 228 investidores antes de ouvir um sim. Eu costumo começar com 40. Reuna uma planilha com 40 nomes, emails e perfis do LinkedIn de cada um dos investidores que você quiser e encontrar.

Eu não falo com todos eles de uma vez. Depende do seu objetivo, se é iniciar um road show (rodada de investimento) ou começar um relacionamento para colher frutos futuros.

Se for a primeira opção, road show, comece pelos fundos que você prefere e que tenham mais fit com o momento e com o tamanho do cheque que você procura. A medida que a conversa com alguns fundos forem evoluindo e outros não, vá adicionando novos investidores no seu funil e só pare quando o dinheiro estiver na sua conta.

Você pode usar esses 4 templates de email para convencer investidores para começar:

Primeiro passo: fortaleça relacionamentos

Há uma variedade de propósitos que tornam útil o fortalecimento do relacionamento com os investidores. O mais comum é buscar investidores anjos e fundos de Venture Capital para o capital inicial. Isso tem suas vantagens, mas a captação de recursos pode ser muito mais fácil quando você já apresenta sinais de crescimento (tração) e se já tiver criado relacionamento. É muito mais fácil conseguir investidores ao alimentar relacionamentos desde os primeiros passos de sua startup.

Na imagem abaixo, apresentamos o processo de levantar uma rodada de investimento. Em média, do primeiro contato até o dinheiro na conta, o processo dura cerca de 6 meses para empresas de estágio inicial (pré-seed, seed, Series A e B).


conseguir-investidores

Na minha experiência sobre acelerar startups de alto crescimento e, consequentemente, na busca por investimentos, sugiro que você mantenha investidores atualizados por todos esses motivos:

  • Para alertar os investidores sobre possíveis oportunidades de investimento
  • Para mostrar o valor da oportunidade
  • Para aumentar o envolvimento com seus negócios
  • Para aproveitar a ajuda de influenciadores e executivos experientes
  • Para construir confiança e relacionamentos
  • Para gerar conexão emocional
  • Para validar sua capacidade de execução ao longo do tempo (desde que você cumpra suas promessas)

Quando atualizar e fazer “follow-ups”

  • Antes do roadshow (rodada de investimento) para aumentar o engajamento com sua startup
  • Ao longo de suas rodadas de captação de fundos
  • Quando você fecha uma rodada de investimento
  • Trimestralmente para relatar atualizações e progresso
  • Depois de alcançar as principais metas do negócio
  • Quando você faz uma contratação importante
  • Quando você é destaque em um meio de comunicação importante
  • Quando você precisa de algo importante e o investidor realmente pode ajudar

Normalmente, a principal barreira para o dinheiro chegar até você é como você aborda as principais preocupações do investidor. Seu dever final no processo é endereçar soluções a essas preocupações. Na maioria dos casos, nas primeiras reuniões com investidores você receberá as seguintes respostas:

  • “Você não tem tração suficiente”
  • “Ainda é cedo. Nos mantenha informados quando você chegar a X de faturamento”
  • “Nós ficaríamos mais confortáveis se….”

Os founders cometem o erro de aceitar esses comentários dos investidores como rejeições e desistem de construir o relacionamento. O que os investidores estão fazendo com esses comentários é estender um convite para o acompanhamento, a fim de abordar qualquer preocupação que eles tenham compartilhado durante suas trocas. A maioria dos empreendedores simplesmente não enxergam isso.

De qualquer forma, após a sua reunião inicial, certifique-se de sempre enviar uma nota de agradecimento que inclua um link para o seu pitch deck.


Como manter os investidores atualizados e interessados

Pode haver algumas exceções, mas em quase todos os casos, o e-mail é sempre a melhor aposta.

O importante aqui é considerar o formato ideal para seus potenciais e atuais investidores receberem e digerirem informações. Quais formatos e mídias eles gostam de usar? Suas mensagens e seu tempo são respeitosos com o tempo deles e refletem positivamente em você? Os 4 principais elementos por trás de uma atualização poderosa são:

  • Sem bulshitagem ou mentiras
  • Seja autêntico
  • Mantenha a transparência
  • Abra o jogo e conte como você está lidando com os problemas

Pode haver cenários em que mensagens de voz e texto em mídias sociais sejam uma boa opção. Mas lembre-se:
Provavelmente investidores já devem estar inundados com mídias sociais. A vantagem clara do email é que a maioria dos investidores de hoje usa o email diariamente. E, como eles certamente estão ocupados demais, o email permite uma comunicação assincrônica, facilitando com que você obtenha uma resposta (muito embora, você não deva esperar nenhuma).

Entenda também que nem sempre é apropriado enviar mensagens. Identifique o que pode ser útil e o que pode criar uma imagem negativa de você. Se você já sabe que seus investidores alvo são muito voltados a familia, enviar mensagens no final de semana não vai fazer você ganhar pontos.

Conheça seus investidores, estude suas teses de investimento e se possível suas personalidades e você saberá como e quando se comunicar para mantê-los atualizados e obter os melhores resultados.

Para concluir…

Obviamente, haverá detalhes específicos de sua startup que você deve entregar em cada etapa do seu processo de relacionamento e captação de investimentos. No entanto, existem duas considerações que devem sempre ser levadas em conta na hora de escrever emails ou mensagens de follow-up.

A primeira é que a captação de recursos geralmente funciona melhor com uma estratégia de marketing atraente. Embora, na maioria dos casos, qualquer investidor sério que você realmente queira conquistar já seja relativamente imune a táticas de vendas baratas. Ainda assim, sua melhor aposta é atraí-los. Seja o empreendedor e a startup que eles gostariam de financiar. Se destaque como aquele que eles acreditam que vai conseguir, que cumpre suas promessas, que pode entregar resultado e que está alinhado com seus objetivos de crescimento e retono sobre o investimento.

O segundo ponto é estar sempre vendendo. Se você não souber vender, será mais difícil conseguir investidores. Alguns até podem se aproximar de você para oferecer dinheiro, embora esse seja um caso excepcional. Não tenha medo de pedir ajuda ou financiamento se você e sua startup realmente tiverem valor para oferecer.

Siga estes passos para conquistar investidores e construir relacionamentos consistentes e você aumentará drasticamente suas chances de captar dinheiro com os melhores fundos de investimento, rodada após rodada e nos melhores termos possíveis.

Um IPO ou Oferta pública de ações sempre chama a atenção porque ele é um marco para qualquer empresa que se atreve a dar esse passo. Além disso, todo IPO é um acontecimento relevante de mercado, e quando a empresa é quente (hot ou hype) a mídia dá uma força criando um barulho ainda maior em torno do evento. A mídia, inclusive, detém o poder de influenciar o valor inicial de uma ação em seu IPO (mas esse não é o assunto aqui ;))

Um IPO acontece unicamente por dois motivos (geralmente os 2 juntos):

  • Dar liquidez a investidores
  • Arrecadar dinheiro no mercado

Esse é o momento em que uma empresa deixa de ser privada e passa a ser de capital aberto. Isso significa uma série de vantagens e de desvantagens que você vai descobrir a seguir.

Em 2019 este assunto tem criado um enorme “reboliço” no mercado de tech’s porque pelo menos 10 gigantes da tecnologia prometem fazer seus IPO’s. A lista conta com Pinterest e Zoom, que acabaram de fazer seus IPO’s, Uber, que já preencheu o S1 (formulário que é o primeiro passo para o IPO), Slack, Airbnb, BlaBlaCar, RobinHood, WeWork, Palantir (fundada pelo Peter Thiel e com mais de U$$20 bilhões em valuation) e o Lyft, que teve seu IPO recente. Além de inúmeras outras ex-startups de tech menores e menos atraentes que estes gigantes.

Essa “farra” de IPO’s das techs está sendo chamada (principalmente pelos corretores de imóveis de São Franscisco) como “Tech IPO tsunami”.

Mas o que elas tem em comum?

Quase todas as empresas são decacórnios (valuation superior a U$$ 10 bilhões de dólares), e juntas ultrapassam facilmente uma soma de valuations de U$$ 250 bilhões de dólares (aqui e aqui).

E para eu e você falarmos mais sobre isso, vamos alinhar os pontos mais básicos para que, caso você ainda não tenha entendido pra que um IPO serve, começar a entender.

O QUE É UM IPO?

Um IPO ou oferta pública inicial é basicamente o processo em que os donos de uma empresa privada decidem vender parte da empresa para investidores públicos, transformando o capital daquela empresa de fechado (privado) para aberto (público).

O primeiro passo para o IPO é o S1, nos EUA. No Brasil, mesmo para empresas brasileiras, geralmente não é vantajoso abrir o capital por aqui. O simples fato do dólar possuir um valor de mercado quase 4 vezes maior que o Real já é motivo suficiente. Mas, além disso, o capital nos EUA é mais abundante que em terras tupiniquins. EUA 2×0 BRA.

Uma vez que uma empresa se torna pública, praticamente qualquer um com uma conta de investimentos pode adquirir ações daquela empresa (mas nem sempre. Mais sobre isso a seguir).

Logo, a empresa deixa de ser de poucas pessoas e passa a pertencer a diversos investidores, que não possuem relação operacional ou de trabalho com aquela empresa. E isso tem impactos importantes em toda a estrutura de uma empresa, podendo apresentar oportunidades e riscos.

COMO FUNCIONA E PARA QUE SERVE UM IPO?

É um processo que funciona parecido com uma piramide (algo pra deixar os vendedores da Hinode orgulhosos)…

Primeiro a empresa conversa com um ou alguns bancos de investimento, que compram as ações da empresa (chamados bancos subscritores). A partir daí os bancos podem agir de duas formas:

  1. Buscar fundos de investimento privado para comprar essas ações.

Aqui os fundos de investimento buscam lucrar em taxas e na diferença de preços entre a compra e a venda para o mercado público enquanto o banco também lucra dessa maneira e reduz o risco de perda, em caso de uma abertura de capital mal sucedida.

  2. Os próprios bancos de investimento, ao comprarem as ações da empresa oferecem-na ao mercado público, sem vendê-las aos fundos de investimento privado.

Isso significa um intermediário a menos no processo.

Essa abordagem garante que a empresa que está fazendo o IPO não sofra com a possível volatização pré-IPO e não consiga atingir o valor-alvo que ela busca angariar no mercado, ao disponibilizar suas ações.

Afinal, fazer um IPO é sempre uma questão de money: para investir em crescimento e gerar liquidez para investidores.

O DIA DO IPO

O valor do IPO é, por sua natureza, especulativo. Muitas variáveis, como: quantos holofotes estão direcionados para aquela empresa (ela é lucrativa, “quente” ou “hype”?), o cenário geopolítico e as condições do mercado, além, claro dos principais unit economics (indicadores) da empresa.

Isso não impede que, no dia anterior ao IPO, a empresa e o banco subscritor determinem o valor inicial das ações para o dia seguinte. Nessa fase um preço-alvo já foi determinado, mas IPO’s são como motanhas russas, nunca andam em linha reta.

Além disso, quanto mais alto o valor inicial, mais dinheiro a empresa, o banco e os fundos de investimento ganham. Mas se o preço for alto demais pode afastar a demanda, e o preço por ação negociada pode cair drasticamente no aftermarket (o mercado aberto de ações, onde as ações serão comercializadas após a oferta inicial. Tradução: Onde os meros mortais operam).

Na maioria dos casos, se você quiser comprar ações de um IPO, vocâ não conseguirá sozinho. Geralmente o banco subscritor, agora dono das ações, escolhe para quem ele irá oferecer as ações iniciais. Os chamados investidores institucionais geralmente ficam com 80% das ações, enquanto os outros 20% ficam com corretoras de ações que geralmente as oferecem a traders que já possuem relacionamento de longo prazo com essas corretoras.

O QUE PODEMOS APRENDER COM O TSUNAMI DE IPO’S EM 2019

Eu não sei o que andaram colocando na água do Vale do Silício esse ano, mas já fazem uns bons 5 anos em que não se vê tantas empresas privadas de tecnologia se tornando públicas.

É claro, leva-se tempo para uma empresa privada se preparar para um IPO, já que isso representa mudanças muito fortes nas estruturas de gestão e governança e contas (transparência e priorização de indicadores).

E, ja que empresas como Uber, Pinterest, Slack, Airbnb e cia ltda., decidiram que essa é a hora, existem diversos benefícios que podem favorecer todo o ecossistema de startups e inovação mundial. Eu listei aqui 5:

  1. Teremos benchmark de mercados com alta liquidez em termos de quanto essas empresas de tecnologia de alto crescimento valem. Até hoje, a maioria dos benckmarks vem de mercados privados (sem liquidez) que não são exatamente os melhores mecanismos de descoberta de preços.
  2. Muitos investidores anjos, seeds e venture capitals, além de funcionários, receberão liquidez de seus investimentos e reciclarão esse dinheiro no setor de startups. Mais dinheiro siginifica mais startups sendo financiadas e mais inovação sendo criada.
  3. Os “limited partners”, chamados LPs, os responsáveis por colocar dinheiro nos fundos de venture capital, receberão ótimos retornos. O que trará mais confiança para continuarem a investir em startups e em novas tecnologias, e quem sabe trazer mais investidores e mais dinheiro com eles.
  4. Essas empresas, agora públicas, poderão acelerar seus programas de aquisição já que possuem dinheiro em caixa e ações para serem negociadas. Mais uma vez, o dinheiro circula no setor e reforça a criação de mais startups e inovação.
  5. A jornada dessas empresas servirá como bons exemplos para que mais e mais startups iniciem sua jornada com sede de impacto e crescimento. Afinal, o IPO (ou outras formas de exit) é onde 90% do valor de uma startup é gerado.

Claro que haverá também o lado negativo… Talvez quem more em San Francisco tenha que aprender a viver com um aluguel ainda mais caro. Mas isso não é algo que precisamos nos preocupar 🙂

PARA CONCLUIR…

Nunca tivemos um evento tão interessante de influxo de techs para o mercado de capital aberto. Isso nos abrirá novas oportunidades e horizontes. Mas é claro que o cenário é imprevisível. O que acontecerá depois de 2019? Uma calmaria ou uma onda crescente de IPO’s daqui pra frente?

Esses são dias incríveis, meu querido. Ninguém tem as repostas certas. Só vivendo para ver!