como encaramos a vida e os resultados que colhemos por isso

Ter controle é bom. As vezes, é ainda melhor não controlar nada. Depende da forma que encaramos a vida.

Você acaba de comprar um celular novo. Um Iphone triple x master piece de 4.500 reais. Você fez isso porque você sentiu que merecia. Você tinha um tempinho sobrando. Foi ao shopping, entrou na loja, escolheu o modelo, a cor, os melhores acessórios, e ao pisar do lado de fora da loja você se sentia como um rei (ou uma rainha).

Uma semana depois, o celular novo estraga. Você fica completamente disapontado. 

Você volta a loja, e, claro, eles instantaneamente fazem a troca. Você está feliz que resolveu o problema, mas você não se sente o mesmo. Você não tem aquele brilho da primeira compra. Aquele sentimento de “Que tesão. Eu tenho todo o poder do mundo”

Mas, o Iphone ainda é zero, novinho. O que esse Iphone tem de diferente do outro?

A diferença:

Dessa vez, você não escolheu um novo Iphone. As circunstâncias da vida fizeram com que fosse assim, e aquilo cai mais como um peso. 

Embora seja fácil entender porque suas emoções mudaram nessas duas situações, objetivamente, o resultado é exatamente o mesmo.

É nessas horas – quando as coisas parecem dar errado – que temos uma oportunidade para ajustar nossas emoções. Dependendo de como você entende o contexto dos resultados, as emoções podem ser as mesmas… 

Você pode sentir o sabor amargo do telefone que estragou em uma semana e você teve que trocar ou você pode elevar a sua experiência como se você tivesse acabado de comprar um segundo Iphone novinho. Dois Iphones novos em 1 semana. Uaaau, que tesão!

E se você estiver atento, é possível ver pontos ainda melhores no segundo Iphone do que no primeiro.

Primeiro, você teve tempo para ir no shopping e comprar um segundo novo Iphone. Isso já é um privilégio. Do mesmo modo, ter o dinheiro para pagar por um aparelho tão caro. E você teve ambos, tempo e dinheiro, duas vezes em uma semana (mesmo que você não tenha pago pelo segundo aparelho, é como se tivesse). 

Mas por que insistimos em focar no lado negativo ao invés de se sentir energizado tendo tanto?

Você pôde dar um rolê no shopping e visitar uma loja com uma decoração top. Você teve a oportunidade de ser atendido por funcionários super gentis, educados e prestativos, que te ajudaram a escolher o celular que você queria, com os melhores fones de ouvido e todos os outros acessórios que você estava afim de comprar. Você experimentou uma cultura de serviços moderna, sendo muito bem servido, o que te fez se sentir bem. Você ficou ali por 40 minutos, e sair com um celular novo não demorou nem uma hora. Talvez você até tenha ganhado um acessório grátis. E claro, saiu cantarolando feliz da vida, com um Iphone novo, duas vezes!

Ontem no almoço de domingo com a família da namorada, eu fiz um comentário em um assunto que estávamos comentando e que cabe como uma luva para essa situação: 

“Cachorro é igual amor. Deveríamos aprender mais com os cachorros! Quando alguem que você ama entra pela porta, mesmo que isso aconteça cinco vezes em um dia, fique loucamente feliz”

Se um resultado deixa nossa vida objetivamente melhor, isso pode – e deve – melhorar nosso estado emocional. As vezes, garantir emoções positivas  em momentos ruins é a parte mais difícil do trabalho. Mas ainda é a coisa certa a ser feita!

Quando a vida vem e nos dá aquele tapa na cara, e as merdas acontecem é um saco. Teoricamente você tinha tudo o que precisava. Um bom produto, uma ótima equipe, marketing e vendas a todo vapor. Você se conectou com as pessoas certas, criou relacionamentos, tudo indo de vento em popa. Mas, por causa de um detalhe que você deixou passar, aquele contrato não foi fechado. E esse detalhe fez toda a diferença.

E você percebeu que a cagada foi sua… O que você faz?

O erro

Quando cometemos erros, é importante não nos deixarmos levar cedo demais. Não caia na onda da impulsividade. Não xingue, esbraveje ou aponte o dedo procurando culpados ANTES de se olhar no espelho. Do contrário, você não aprenderá nada com a situação. Você não aprenderá a cometer erros melhores amanhã. Ou você acha que você vai parar de errar?

Só quando aprendemos com nossos erros é que somos capazes de abrir mão da tentativa de tentar controlar as coisas. Só depois de aprendermos a lição é que somos capazes de corrigir a direção e nos tornamos pessoas melhores no dia seguinte.

É preciso lembrar que não controlamos os resultados negativos, pra começo de conversa. Não controlamos quase nada na vida, de fato.

Não foi você que liberou o Coronavírus. Não foi você que pediu seu cliente para cancelar o contrato. No fim, o resultado é o mesmo. Deu merda e o vírus se espalhou. Deu merda e o contrato não foi assinado, as mãos não foram apertadas e a negociação que você esperava está fora de cogitação.

Quando sabemos que não estamos no controle, fica mais fácil receber o aprendizado! A falta de controle traz conforto e fica mais fácil seguir adiante, tocar a bola pra frente. Ainda há lições a serem aprendidas. Mas é mais fácil absorver essas lições quando a vergonha não está no caminho. Quando não precisamos nos defender, quando não há nada a esconder ou se culpar. Podemos focar no aprendizado a ser extraído.

Da mesma forma que aconteceu com o Iphone, podemos usar uma situação para nos sentirmos mal ou nos sentirmos bem, mesmo quando você é a pessoa responsável pelo erro.

E como isso se aplica ao trabalho?

Imagine isso: Você não gosta do seu trabalho. Você não se sente valorizado e gasta seu dia ruminando números e tarefas que você não aprecia. Volta pra casa sem energia e exausto diariamente.

Um dia você decide sair. Você se sente empoderado(a) por um segundo. Logo em seguida, a realidade bate na porta: “M*rda. Por que eu me demiti? Como vou pagar o aluguel? E a prestação do carro?” Esse é o momento em que você cai em uma mentalidade de escassez, e o perfeccionismo e a procrastinação farão com que as coisas se tornem ainda mais difíceis. Aquele novo projeto começa a parecer mais distante, você começa a se sentir sem forças. Por que você fez isso com você mesmo? Se pelo menos você não tivesse se demitido.

Agora, e se, dois dias antes de você pedir demissão seu chefe te demite? E se outra pessoa tomar essa decisão por você? O resultado é o mesmo, os sentimentos serão completamente diferentes. Ao invés de se sentir empoderado por um segundo, você talvez se sinta surpreso ou com raiva. Mas, logo em seguida, ao invés de se vitimizar, você transformará a injustiça em motivação. Descansará um pouco. Pegará um pouco de ar, e vai sair para mostrar ao mundo que você não está aqui a passeio. Que você nasceu pra detonar.

Ou seja…

Tem horas que é melhor ter controle. Mas, por um momento você pode aprender a lição abrindo mão e fingir que você não controla nada. Sò por um segundo. Para que você possa aprender a lição. Em seguida, assumir a responsabilidade, e seguir em frente.

Objetivamente, se isso funcionar para que você se torne melhor, abra mão do controle. No fim do dia, resultados são apenas resultados. Em essência, eles não são positivos nem negativos. Essa é a coisa mais real que podemos dizer sobre eles.

Como encaramos esses resultados é o ponto determinante do jogo, pois essa é a maneira que gerenciamos a nós mesmos. É assim que gerenciamos nossas mentes, crenças e emoções. 

E se nos lembrarmos de fazer esse trabalho – tão importante, todo santo dia oferecerá uma nova oportunidade de crescimento. Pode ser que nem todo dia você vai sair da loja se sentindo como um rei, mas nós nunca perderemos o sentimento de que “Que tesão. Eu tenho todo o poder do mundo”.

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