Época de natal, músicas natalinas, familia reunida, e claro: tendências para o ano seguinte.

Não poderia deixar de falar sobre uma das mais importantes tendência para 2020: MVP,  Produtos mínimos viáveis.

A tecnologia permite que startups e organizações aumentem a produtividade e sirvam melhor seus clientes. No entanto, muitas iniciativas – pequenas e grandes – cometem erros semelhantes: custos excessivos e não planejados, prazos estourados e baixo valor gerado, o que ameaça os esforços de desenvolvimento e criam projetos fadados ao fracasso. 

No “mundo” das startups o conceito de MVP já é algo rotineiro. E agora há uma tendência global também em grandes empresas. Os processos em cascata (waterfall process) estão caindo em desuso. Pessoas não podem mais esperar 3 anos para serem atendidas. 

O conceito é simples: oferecer ao seu público valor que possa ser experimentado em um novo produto em 45 dias. Quando o assunto é velocidade, startups são mais ágeis que grandes empresas, e alguns conseguem disponibilizar em 15 dias o que é preciso para a aplicação e continuidade de um negócio. 

Embora simples em conceito, a aplicação prática desses conceitos ainda permanece obscuro para a maioria. 

Essa mudança na maneira de criar produtos e interagir com clientes caiu nas graças de todos após a popularização do conceito de produto mínimo viável por Eric Ries, em seu livro a Startup Enxuta.

No passado comprávamos por algumas centenas de reais um CD-ROM com uma software acabado e completo. Hoje pagamos algumas dezenas de reais por mês para acessar em nuvem um software que nunca está finalizado, e recebe atualizações e incrementos frequentes em escalas semanal, quinzenal ou mensal.

O que para uma startup em fase inicial pode significar uma simples landing page (página explicativa do produto e seus benefícios), um vídeo explicativo e um botão de convite a novos usuários, para grandes empresas significa usar ferramentas já existentes e dar um significado operacional para elas. Transformando o tempo de concepção, pesquisa e desenvolvimento de um primeira versão de 6 meses a 1 ano para startups e 2-3 anos para grandes empresas em apenas 15-60 dias para ambos.

Foi o que fez a startup Lugg, acelerada pela Y Combinator (melhor aceleradora de startups do mundo). E a empresa Damart, uma gigante do e-commerce para mulheres que faturou 720 milhões de euros em 2018-2019.

A Lugg criou um simples aplicativo com uma unica função: chamar uma “truck”. No começo, os fundadores da Lugg ficavam esperando do lado de fora de lojas da Ikea esperando que pessoas saíssem das lojas com móveis maiores que seus carros de passeio pudessem carregar. Eles abordavam essas pessoas e diziam: 

Que tal eu te ajudar a carregar esse móvel, sem que você precise danificar o seu carro ou mesmo se esforçar fisicamente? Basta baixar o nosso app e chamar o truck

Esses eram os clientes ideais para eles: pessoas que acabaram de comprar móveis que não conseguiriam levar para casa sozinhos. 

Logo em seguida, uma caminhonete saia do estacionamento ao lado e parava na frente do novo cliente, em apenas 2 minutos. O app na verdade não funcionava perfeitamente. Mas ele serviu para validar uma hipótese fundamental para a viabilidade do negócio: estariam as pessoas dispostas a baixar um novo aplicativo e chamar uma caminhonete para ajudá-las com seus móveis recem comprados? 

A resposta foi um claro SIM. E o negócio pode continuar, evoluiu para outros nichos além de móveis e hoje é um sucesso nos Estados Unidos.

Já a empresa Damart (Darmatex S.A) criou um MVP para revolucionar o mercado de e-commerce. A hipótese foi testar se as pessoas estariam dispostas a fazer compras usando um assistente de voz. Ao invés de debruçarem sobre as mesas em infinitas reuniões de planejamento, eles usaram a estrutura já pronta do Google Assistant, assistente de voz da Google. E assim, integrado ao Nest (dispositivo Google home) rapidamente lançaram uma nova solução para seus clientes, criando o primeiro assistente de voz que permite a seu público selecionar e comprar roupas em sua loja virtual. 

O asistente permite ainda que os clientes identifiquem as lojas mais próximas de suas casas caso eles prefiram pegar os produtos pessoalmente.

O esforço de desenvolvimento foi focado principalmente na integração da estrutura existente as funcionalidades do assistente de voz da Google

Essa mentalidade aplicada a prática de negócios permite que qualquer empresa, pequena ou grande, possa aproveitar vantagens competitivas e se posicionar no mercado antes de seus concorrentes. 
E não há barreiras para isso. Seja uma empresa de 2 pessoas ou de 10.000 funcionários espalhados pelo mundo. O que não deixa mais desculpas para projetos engavetados. Se o seu projeto promete gerar valor para um nicho de pessoas, ele deve ser executado.

Aqui explicamos passo-a-passo como isso é possível em 13 dias. Mesmo que você trabalhe em uma grande empresa. O temor de “e se der errado? Não podemos associar baixa qualidade com nossa imagem” é simples de contornar. Basta desassociar o “nome à pessoa”. Não é preciso estampar a marca da sua empresa em seu MVP. Assim você pode usar as cartas que quiser para provar para a sua diretoria o seu ponto. Sem precisar de autorização prévia. Não haverá nada em jogo que possa ser perdido.

Para concluir…

Para startups, um produto mínimo viável permite validar hipóteses de novos produtos que resolvem problemas de clientes, trazendo receita no primeiro mês de operação. O que é crucial para a sobrevivência e sucesso de qualquer negócio inicial, onde os recursos escassos e a falta de vantagem competitiva assustam a maioria dos usuários. 

Para grandes empresas, um MVP isso se traduz em uma redução significativa de custo por iteração, diminuindo gastos com novos projetos consideravelmente. Ao invés de direcionar largas quantias para projetos com timeline de execução longos, que possuem pouca relação com o progresso e sucesso da uma nova iniciativa. Esse processo permite manter a qualidade detectando problemas muito cedo, o que reduz custos associados a produção de códigos e correção de bugs.

Além disso, projetos enxutos e focados em rápidos progressos aumentam o foco na colaboração e comunicação, o que permite às posições de liderança saber exatamente onde é necessário mudanças de orçamento e onde as decisões farão maior diferença para que o projeto atinja seus objetivos. 

Não há motivos para ver o processo de produtos mínimos viáveis como algo do mundo de startups. Para quem deseja realmente iniciar uma startup, o MVP é o único caminho. 

Para quem joga um jogo maior em grandes corporações, o MVP é o caminho mais seguro, mais barato e mais eficiente, conectando os objetivos da organização com as rápidas mudanças de mercado que vivemos hoje.