Um produto mínimo viável é a primeira entrega tangível de uma startup. É a porta de entrada para o mundo dos unicórnios, e geralmente ele é muito diferente da ideia original ou da ideia completa. É apenas um protótipo, mas não se engane, toda startup de sucesso, seja um unicórnio ou não, começou com um MVP – Produto Mínimo Viável.

Isso porque leva tempo para se construir um produto que milhares de pessoas amam. E só é possível construir um produto assim quando existem pessoas usando seu produto, interagindo com ele e enviando dados a você. Dados que você poderá usar para aprender cada vez mais sobre o comportamento e as dores de seus clientes e construir, a partir de testes de hipóteses, produtos cada vez mais robustos (sem bugs. Será realmente possível?), bonitos (interface ou UI), eficientes (experiência do usuário ou UX) e lucrativos.

Até lá o caminho é duro e longo, e toda história tem um começo. Assim, o começo da história da sua startup precisa, sem exceções, passar pelo produto mínimo viável – MVP (sigla em inglês). E aqui estão os 10 princípios que não podem faltar para se ter sucesso com seu MVP.

“Um produto que já nasce pronto, nasce morto”

1 – Seu MVP deve ser visual e tangível

O primeiro princípio é o mais óbvio, porém o menos comprendido. Parece óbvio transformar o seu MVP em algo visual antes de começar a construí-lo. Mas o que acontece na prática é vermos as equipes focando muito no blah blah blah e pouco na documentação do seu plano. E claro, isso tem um motivo: Faltam opções práticas para transformar a sua ideia de MVP em algo visual e tangível. Quer dizer, faltava.

Nós da O Tao Startups criamos um curso onde ensinamos como criar startups do zero e começar a faturar com seu MVP. Criamos o Canvas do MVP para os estudantes do curso, mas você pode baixá-lo clicando aqui, se desejar. Com ele você será capaz de transformar aquela ideia incrível em algo tangível, visual e executável. Chega de ficar perdido sem saber o que fazer, ou o que fazer primeiro. Coloque tudo no papel primeiro antes de começar porque se o seu plano não funciona no papel, ele não funcionará na vida real.

2 – Mantenha sempre uma mente de iniciante

Ideias, ideias e mais ideias… Quando se está começando um novo projeto não se deve descartar nenhuma ideia, mas também não se deve dar valor excessivo a elas. Portanto, não permita que sua experiência anterior seja um limitante para o seu sucesso. Manter uma mente de iniciante fará com que você não descarte nada que pode ser promissor no futuro, e também não se apegue demais a algo que você já conhece, portanto, lhe é mais familiar e agradável.

Esteja aberto para discutir e explorar cada conceito, cada ideia e conhecimento que surgir de você ou do grupo. Algo que inicialmente não parece tão óbvio pode se tornar um grande ativo ao longo do processo.

3 – Não se apaixone por suas ideias, crie alternativas

O erro mais comum quando temos “aquela grande ideia” é de nos apaixonarmos por ela e alimentarmos a sensação de que aquela ideia se tornará um grande sucesso. A verdade é que de ideia o mundo está cheio e já não é mais possível conquistar – nem investidores nem clientes – somente com uma frase escrita no guardanapo ou um Power Point bem feito. Portanto, explore e crie alternativas a partir de suas ideias iniciais. Não se apegue tão facilmente a primeira ideia legal quer surgir. Tenha a certeza: seu produto será muito diferente daquilo que você projeta hoje, na sua mente.

4 – Esteja confortável com a incerteza

No começo de um projeto nada tem uma direção clara e tudo pode mudar muito rapidamente. Lembre-se: você está criando hipóteses para testá-las mais adiante. Ter dificuldades em mudar de ideia, várias vezes, pode se tornar um grande inimigo nessa fase. Estar disposto a seguir por diferentes direções, como a água, pode se provar valioso no futuro. Além de economizar sua energia, seu tempo e dinheiro.

5 – Não se apegue aos detalhes cedo demais

Eu sei que quando você pensa na sua startup daqui há alguns anos você já vê sua conta cheia de dinheiro, o iate, a Range Rover e tudo o mais… Não queria ser o estraga prazeres maaaaas, esse dia ainda está bem longe, jovem padauã. Concentre-se no seu MVP! Porque, como o próprio nome já diz: ele é o produto com as características minimas que permitirão à sua startup entregar valor para seus clientes (resolver um problema e curar uma dor) ao mesmo tempo em que seja capaz de extrair valor do mercado (ser pago por isso). Por isso, mantenha-o simples e barato. Não espere ter o produto perfeito para lançar.

O quanto antes você conseguir testar seu MVP, mais rápido você será capaz de aprender com seus clientes e melhorar o seu produto (chamamos isso de iteração, sem o “n” mesmo), sabendo o que funciona e o que não funciona.

6 – Esteja disposto a receber críticas

Um produto mínimo viável é sobre aprender com o mercado, aprimorar e lançar uma nova versão o mais rápido que você puder. E assim sucessivamente! Portanto, não leve críticas para o lado pessoal. Esteja disposto e aberto a recebê-las tanto quanto for possível. Elas contém informações-chave para que você possa melhorar o seu mvp. Receber críticas devem ser um de seus objetivos. Mas lembre-se: nem toda crítica serve. Foque nas palavras que seus clientes estão dizendo.

7 – Erre rápido para acertar rápido

Esse talvez seja um dos ditados mais famosos do Vale do Silício: “Fail fast, learn faster.” Ou seja, erre rápido para começar a acertar rápido. E essa afirmação tem 3 vantagens:

    1. Você vai errar, querendo ou não. Estar consciente disso e usar os erros como aprendizados para construir um produto melhor e uma startup melhor é fudamental. 
    2. Errar rápido vai te economizar rios de dinheiro. Em uma de nossas startups criamos um produto que parecia super promissor porque ele tinha alta aceitação por um nicho específico de mercado, que não podia pagar por nosso produto mais caro. Parece ótimo, não? Aumentar o faturamento atingindo uma nova parcela de clientes. Acontece que demorou quase um ano para percebermos que as taxas de churn (de perda de clientes) eram altas demais e o custo para adquirir aqueles clientes no final não valia o esforço.
    3. O ponto aqui é: não tenha medo de errar. Ao invés do medo de cometer erros, crie uma cultura capaz de errar rápido para que o aprendizado aconteça rapidamente e que isso não resulte em perdas financeiras.

8 – Seja criativo

Hoje em dia com tantos recursos e informação na ponta dos dedos parece muito fácil criar coisas novas, certo? Errado. Por termos informações demais disponíveis, acabamos agindo cada vez mais com o comportamento de rebanho (vide a grande polarização sobre quase tudo que vira interesse social).

Isso significa que tendemos a copiar as coisas que estão dando certo, porque as pessoas aplaudem e contam histórias sobre elas. Seguir as receitas de sucesso é um caminho logicamente mais seguro. Mas não é necessariamente o melhor caminho quando você está buscando construir algo que ninguém fez antes, pelo menos não tão bom quanto. Por isso, comece com os exemplos e cases conhecidos e use-os como um ponto de partida. Mas não se apegue unicamente neles.

9 – Crie modelos toscos

Todo ser humano quer ser reconhecido de alguma maneira. Por isso, construir algo “tosco” geralmente é um grande desafio para a maioria das pessoas. “O que vão dizer dessa porcaria?” ou “O nome da minha empresa vai ser associado a esse lixo?”

Calma, que tudo tem sua razão e momento para ser útil…

Os modelos toscos ou “shrek models” podem ser um grande meio de aprender de forma fantástica. Você pode, por exemplo, mostrá-los a alguns clientes em potencial, através de um uso supervisionado. Explique a eles do que se trata e grave absolutamente tudo. O que vocês conversarem e todas as interações que ele fizer com esse modelo. Isso permitirá aprendizados muito rápidos ao longo do processo de criação e pode ser fundamental para corrigir falhas e erros no meio do processo, bem como identificar features com grande potencial de monetização.

Para que esse tópico não seja mal entendido, lembre-se dessa imagem de como fazer um MVP:

mvp-como-fazer

10 – Anote e metrifique tudo

Nenhum desses 9 passos adiantarão muita coisa se você não extrair aprendizados ao longo do processo. Quando se está construindo um produto mínimo viável é possível que os aprendizados sejam o maior ganho que você terá. Por isso é super importante que você anote todas as ideias iniciais e guarde aquelas que forem sendo descartadas. E, acima de tudo, meça o que for possível ser medido. Talvez você não tenha muitos dados nessa fase, mas os poucos dados que você conseguir obter conterão as respostas para os problemas mais difícies que você está tentando resolver.

Para concluir

Seguir esses 10 princípios para fazer um MVP de sucesso irá facilitar sua vida e possivelmente fazer com que você economize tempo, dinheiro e energia ao longo da fase de validação e construção do seu produto mínimo viável. No entanto, é importante você estar atento, pois no mundo de startups (e na vida como um todo) não existem respostas certas. Esteja disposto a descubrir a sua!

E se você precisar de ajuda para começar sua startup com um método capaz de transformar ideias em startups de alta previsibilidade de sucesso, você pode encontrar isso aqui.