Lembra da primeira vez que você você teve uma ideia de negócio?

Quando eu tive, não sabia praticamente nada sobre startups. Um dia simplesmente olhei para um problema e na minha cabeça teve um “click”. Uma ideia nasceu.

“Vou abrir minha startup e revolucionar o mercado”, eu imaginava as possibilidades. “Isso poderia melhorar a vida de todo mundo”. “Mal posso esperar para ver as pessoas ficando felizes de poder resolver isso tão facilmente”. “Vai me fazer rios de dinheiro”.

Foi nesse momento que dentro de mim nasceu uma vontade, uma razão, uma chama.

Foi nesse momento que eu comecei minha jornada.

Claro, deve ter acontecido o mesmo com você, afinal, você está lendo isso. E como a pessoa esperta que é também deve ter feito o mesmo que eu, e foi logo buscar mais informações. Entendeu melhor sobre o assunto, conversou com algumas pessoas, fez algumas pesquisas e viu que o principal para sua ideia conquistar o mundo é…

Hmm… O que era mesmo?

Aquilo lá… Você sabe! Aquela coisa que é seu foco e faz todo mundo querer seu produto. Que faz as pessoas estarem dispostas a tirar o dinheiro da carteira delas e entregar ele para você. Que desperta aquele sentimento nelas de “Finalmente o encontrei, busquei isso minha vida inteira…”.

A essa etapa você já sabe do que estou falando, não é?

Estou falando daquilo que seus clientes tem que superar todo dia, que faz eles arrancarem os próprios cabelos e sentirem vontade de deitar na cama e chorar de raiva. Estou falando do pilar que fará sua startup se desenvolver sem parar e fará você crescer junto.

Sim! É da ideia que estou falando! Brincadeira, é do problema e da essência dele.

O Problema e a Essência

Você sabe, startups nascem e crescem somente para resolver problemas. O que talvez você não sabe é que quando comparamos startups que venceram, conquistaram seu mercado e faturaram alto com as que somente tentaram fazer tudo isso, conseguimos observar uma diferença recorrente: Uma startup que conquista seu mercado entende bem o seu problema e a essência do seu problema.

Falando sobre o problema, é óbvio que entendê-lo bem é uma chave para o sucesso de sua startup, porém muitas vezes nem percebemos que deixamos de considerar algo muito importante. Pense na sua ideia, na sua solução para o problema. Ela mudou desde que você pensou nela pela primeira vez, não é?

E quanto ao seu problema?

Você já passou (e ainda passa) por um processo de melhora, usando diversas técnicas e pontos de vista para melhorar sua ideia e sua solução. E para obter essas melhoras sem perder o foco no seu objetivo você colocou o problema no topo das suas prioridades, praticamente tatuou seu problema na testa para lembrar dele sempre que se olhar no espelho.

Fica pensando nele durante o processo todo e a cada novo insight você atualiza sua solução, aprende melhor o que fazer e como fazer para resolver o problema. Mas isso não é o erro.

O Erro

O erro que cometemos é pensar que nossa solução pode mudar, mas nosso problema não. Você já usou mais de uma técnica e mais de um ponto de vista para melhorar sua solução, mas e o problema? Está reavaliando ele constantemente?

Fazemos pesquisas e avaliações de mercado para identificarmos nosso problema somente uma vez, enquanto deveríamos estar sempre dedicando pelo menos uma pequena parte do nosso tempo para ficarmos mais atualizados sobre nosso problema e buscar novos insights sobre o meio em que ele se encontra.

É crucial mantermos em mente que o nosso problema também muda, afinal, todas as pessoas que têm esse problema estão buscando novas maneiras de resolvê-lo diariamente. E claro, por estar desatento, muitas vezes elas acabam por resolver parte dele sem sequer você perceber. O seu problema que antes era “Isso e aquilo” agora é só “Isso” pois o “aquilo” alguém já resolveu.

Claro, reavaliar seu problema sem perder tempo pode ser difícil, então vou te passar algumas dicas importantes.

O ideal para reavaliar o seu problema seria fazê-lo em três passos:

1º Passo: O Mercado.

O objetivo é saber se algo mudou ou se você deixou passar alguma coisa. Então pense no que poderia ter mudado e analise aquela parte novamente. Você deve reavaliar o seu mercado atualizando os dados, técnicas e pontos de vista utilizados. Existe algum produto novo que resolve, de maneira equivalente (Algo que não é específico para aquele problema porém o resolve parcialmente), o seu problema?

Se você tem dificuldade ou não sabe como estudar seu mercado eu indico este material que tem um passo a passo para você entender como fazer essa análise e o que de bom trará. LINK

2º Passo: O Problema.

Agora está na hora de se atualizar sobre seu problema e o analisar novamente. É essencial usar novas técnicas e novos pontos de vista que irão permitir você a ter mais insights para sua solução (produto) e a entender melhor o que seu consumidor realmente quer.

Um bom exemplo de quem deveria ter se mantido atualizado foi o Youtube. A ideia inicial da startup era atuar como um serviço de vídeo para namoro online, porém parecia que não daria certo. Passaram um tempo insistindo na plataforma de namoro, mas depois de ver que de fato não daria certo, mudaram de rumo. Decidiram focar somente no compartilhamento de video. Um ano depois foram comprados pela Google por 1,65 bilhões de dólares.

Se o Youtube tivesse percebido mais cedo que o problema que eles tentavam resolver sobre namoro não valia a pena, poderiam ter deixado de gastar muito tempo e recursos com o serviço de vídeo para namoro. Claro, receberiam os 1,65 bilhões muito mais cedo também.

Mas que tipo de técnica eles poderiam ter utilizado para achar esse problema sem mesmo saber que ele existia?  O Job To Be Done. A técnica obriga você a mudar seu ponto de vista e também vai te ajudar no passo 3, passo que vou explicar antes de continuar falando sobre o JTBD.

3º Passo: A Essência.

A essência do seu problema é a parte por trás do problema em si. Envolve as ações e situações em que as pessoas se encontram relacionadas ao problema, o que seu problema e a possível solução representa para as essas pessoas, etc.

Algumas respostas importantes aqui seriam: Quais situações levam a pessoa ao problema? Como e onde ela busca resolver? Caso ela não resolva o problema, quais serão as consequências?

Um excelente exemplo de essência é citado pelo criador do Job To Be Done, o Milkshake. Onde o milkshake deixa de ser uma bebida e passa a ser algo que cumpre o trabalho de manter você ocupado enquanto dirige até seu trabalho e faz você não sentir fome até a hora do almoço.

Job to Be Done

Criado pelo professor da Harvard Business School Clayton M. Christensen, que é especialista na área de inovação. Escreveu também o The Innovator’s Dilemma, que trata sobre o ciclo da inovação no mercado. Um livro que recomendo muito.

JTBD busca entender o “Trabalho” por trás do problema ou do produto em questão. Ou seja, ele ajuda a entender o que da ferramenta as pessoas estão precisando para cumprir aquele trabalho. Também nos ajuda a compreender melhor o que podemos adicionar ou extrair do produto e o que os futuros consumidores já estão utilizando que possa ser equivalente. Como se já não fosse o suficiente, também vai auxiliar na sua linguagem de venda, divulgação do produto e por aí vai.

A maneira de se trabalhar com o JTBD


Você deve analisar seu problema junto com sua solução, definindo e analisando qual trabalho seu produto vai desempenhar, a situação em que o consumidor fará o uso do seu produto e quais as consequências de não se resolver aquele problema. Existem diversos vídeos do próprio criador do Job to Be Done explicando o processo, como o video abaixo, onde o exemplo é o Milkshake citado acima.

MVP

Claro, você pode já estar fazendo tudo o que recomendei e simplesmente leu o artigo todo para saber se teria algo faltando. Muito esperto da sua parte. Então, para você não dizer que foi “perda de tempo”, aqui vai um material especial que explica tudo sobre MVP, desde o método correto de validação, os componentes que são OBRIGATÓRIOS e um insight muito valioso de um dos homens mais ricos do mundo. É só clicar aqui 🙂