viés da normalidade

O Viés da normalidade: Vivemos em um mundo dinâmico. Mas temos dificuldades em acreditar nisso.

Quando crianças, era normal sentir medo, raiva, angústia, etc… E procurávamos pela mamãe, ou pelo papai. Porque esse eram os “lugares” que nos sentíamos seguros.

E isso acontece por um fator genético, evolutivo.

Quando nos tornamos adultos, buscamos segurança em outro lugar. Geralmente buscamos sinais externos.

Segurança nas relações, amizades, na política, nos negócios. E isso nos dá uma sensação de que as coisas estão ok. Quando tudo está normal, nos sentimos tranquilos. Mais seguros.

Evidentemente, a vida não funciona assim, por mais que a gente tenha dificuldades em acreditar. A normalidade é uma visão fundamentalista. Ela só seria possível se vivêssemos em um mundo estático. E, como todos podemos perceber nesse momento de pandemia, de estático o mundo não tem nada.

“As coisas são como elas são, e não vão mudar.” 

Você já deve ter dito isso pelo menos uma vez na vida. Talvez você estivesse se referindo a política brasileira, sobre a ganância e avidez das grandes empresas, ou sobre qualquer assunto.

Nos esquecemos que nossa história é cheia de mudanças profundas. Registros históricos nos mostram algo ainda mais surpreendente: Uma vez que uma mudança ocorre, a nova situação passa a ser aceita como o novo normal.

Vivemos em tempo de crise

A crise deflagrada pelo Covid-19 é um desses casos. A mudança, em forma de um minúsculo vírus que pode se espalhar de forma assintomática, já estava clara em janeiro. Mas, a maioria das pessoas estavam vivendo suas vidas como se nada estivesse acontecendo e se não houvesse nenhuma mudança, até que veio março. 

Agora, que estamos no meio do furacão, o lockdown e o medo rapidamente se tornaram o novo normal. Agora eu ouço de amigos o quanto eles estão “planejando olhando o longo prazo”. Vejo também previsões que dizem que não há previsões para que as crianças voltem as aulas, ou para que os negócios retomem suas atividades “normais”. Pouca gente, nesse momento do tempo, acredita que isso passará rápido. 

E, é óbvio, há inúmeros cenários possíveis onde a crise se agrava ainda mais, e a economia e a saúde pública enfrentam caos piores que os atuais, especialmente aqui no Brasil, onde somos retardatários dos efeitos que outras partes do mundo está sofrendo. Nós não vivemos ainda os piores momentos das falências pessoais e dos pequenos e médios negócios. Sem falar no sistema de saúde…

O viés da normalidade é uma estratégia de sobrevivência do nosso cérebro. E que pode nos colocar em grande perigo quando enfrentamos algo traumático. Esse viés faz com que a gente insista que tudo está ok. E que as coisas voltarão ao normal logo. Para aqueles de nós que nunca enfrentou nenhuma calamidade, o viés da normalidade cria aquela vozinha que diz que nada de ruim irá acontecer. De uma forma incrível, os sinais mais óbvios são ignorados. Porque o viés da normalidade faz isso: reagimos com resistência a coisas que nunca experimentamos antes.

A normose

Como disse Shakespeare:

“O erro, querido Brutus, não está nas estrelas, mas em nós mesmos”

O viés da normalidade explica porque tantos Judeus permaneceram vivendo na Alemanha mesmo depois de serem forçados a usarem identificadores visíveis (eles eram amarelos e colocados no pescoço e braço), e após leis discriminatórias serem aprovadas contra o povo Judeu. 

“A vida tem sido tão boa a tanto tempo, porque ela haveria de mudar agora? Certamente as coisas ficarão melhores”

Seria mais simples e fácil para os Judeus se mudarem da Alemanha, para outro país onde não eram ameaçados diretamente. Mas eles preferiram ficar!

Eu não estou dizendo isso pra você ficar com medo. Mas para que você assuma uma postura diferente. Netflix, pizza e álcool (de beber, não em gel) para esperar a quarentena passar? 

Isso não vai adiantar.

Além do viés da normalidade, há também a normose, que é a doença da normalidade

Essa doença é criada a partir de comportamentos normais de uma sociedade que causam sofrimento e morte. Os indivíduos afetados pela normose estão em perfeito acordo com a normalidade e fazem aquilo que é socialmente esperado. Por isso, acabam sofrendo, ficando doentes ou morrendo por conta das “normoses” do dia-a-dia. 

É comum esperar que ao seguir todas as normas sociais um indivíduo será feliz e saudável, mas isso não acontece, pois diversas das nossas normas sociais são patológicas.

A normose é uma epidemia global, uma obsessão doentia por ser normal, que mata mais que o Coronavírus.

O novo normal

É importante lembrar que nesse momento já criamos um novo normal: lockdown e medo.

E sim, vale a pena considerarmos os fatores que podem contribuir para uma recuperação rápida. Há uma tonelada de possíveis tratamentos sendo testados. Há um enorme esforço para se criar vacinas. Há a tecnologia, que está sendo usada para trackear os infectados, para que as pessoas evitem entrar em contato com eles. 

E nós temos o progresso tecnológico da última década que – esperamos – entre nesse jogo a nosso favor, como o sequenciamento do DNA, que pode tanto ser usado para criar novos vírus – mas também para criar vacinas mais rápido. E porque não falarmos da reprodução de anticorpos em larga escala, que pode ser coletado em pessoas que já desenvolveram resistência ao vírus e inoculado em pessoas susceptíveis.

Tudo o que estamos falando até aqui é sobre duas diferentes visões de mundo:

  • Um mundo normal, que não muda: uma visão estática que chamamos de viés da normalidade 
  • Uma visão dinâmica do mundo: onde se espera que as coisas mudem. E nos preparamos o melhor possível para essas mudanças.

Empreendedores e investidores de startups possuem, em sua maioria, essa visão dinâmica, onde esperamos que as coisas mudem. Por isso, estamos sempre buscando maneiras de não só se adaptar as mudanças, mas de como aproveitá-las e criar coisas novas a partir dessas mudanças. Esse é o porque estamos entre aqueles que lidamos com as crises buscando soluções, e esse é o porque a maioria de nós está otimista de que sairemos dessa!

E esse é um convite para você pensar como nós. Como você pode se adaptar a essas mudanças? Quando sairmos dessa, de preferência cedo do que tarde – não haverá mais o normal.

Ou seja…

Mesmo que a gente esqueça com o tempo – essa marca estará impressa em nosso inconsciente. Tantas coisas vão mudar. E essas mudanças vão desenrolar tantas outras mudanças, que o mundo daqui há 3 meses será algo que ninguém, hoje, pode prever.  Seja usando teorias econômicas, dinamicas sociais ou bio geopolíticas. O jogo está mudando, meus amigos. É hora de pensar em um novo mundo, usando um novo tipo de pensamento.

Sei que é difícil abrir mão do conhecido para abraçar o que a gente não conhece. Dá medo, insegurança e até desespero. Mas quem continuar no modus operandi antigo estará se abraçando a um novo Titanic.

Por isso, não pense apenas em como você pode se adaptar a essas mudanças, mas como você pode influenciá-las, para que esse novo mundo, seja construído mais com a sua cara, do que com a cara de quem não está nem ai pra você. É hora da mudança. E ela está em suas mãos. Tudo o que você precisa fazer é deixar o viés da normalidade de lado e adotar uma visão dinâmica do mundo.

E aí, o que você escolhe?

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